O LOCAL DA DIFERENCA
MARCIO SELIGMANN-SILVA
p. 315. o elemento fluido, maleavel, era uma caracteristica, para Novalis, da poesia originaria. se, para du bos, o poeta realiza essa uniao do imagetico e do discursivo e o genie, para novalis ele e genio porque cria palavras-figura. para ele seria a era de ouro quando as palavras se tornassem tais figuras:
"palavras e figuras determinam-se em alternancia constante - as palavras audiveis e visiveis sao propriamente figuras-palavras [wortfiguren]. as figuras-palavra sao as figuras-ideais das outras figuras - todas figuras etc. devem tornar-se figuras-palavra ou figuras-"linguais" [sprachfiguren] - assim como as palavras-figura [figurenworte] - as imagens internas etc. sao as palavras-ideal dos demais pensamentos ou palavras - na medida em que todas devem tornar-se imagens internas.
a fantasia, que forma as palavras-figura, cabe muito bem o predicado genio.
sera a era de ouro quando todas as palavras se transformarem em palavras-figura - mitos - e todas as figuras em figuras-"linguais", hieroglifos - quando se aprender a falar e escrever figuras e a musicar e a tornar plasticas as palavras de um modo perfeito.
ambas as artes devem estar justas, sao inseparaveis, ligadas e se tornarao perfeitas ao mesmo tempo." (NOVALIS 1978: II, 458).
(...) poesia que reunisse esses mesmos caracteres do hieroglifo, que fundisse imagem e escritura. (cf. Benjamin).
uma vez que a arte e uma exposicao alegorica, o artista deve escolher entre duas estrategias de exposicao (que, de resto, tambem podem ser misturadas, como nos contos de Tieck): ou ele expoe o mundo do ponto de vista de uma "teoria da vida comum" (NOVALIS 1978: II, 555) e cria poeticamente os elementos cotidianos novamente - e desse modo revela-se "sob" ou "por detras" do nosso mundo prosaico os disiecta membra poetae; ou ele expoe o indizivel atraves do sem-sentido, ou seja,por meio de uma obra "fantasiosa" como por exemplo os assim chamados arabescos. em ambas as direcoes, o poeta trabalha tambem com hieroglifos e com alegorias. ambos os caminhos expoem o mundo como uma cadeia infinita de significantes e como um emaranhado insoluvel de palavras-figura.
MARCIO SELIGMANN-SILVA
p. 315. o elemento fluido, maleavel, era uma caracteristica, para Novalis, da poesia originaria. se, para du bos, o poeta realiza essa uniao do imagetico e do discursivo e o genie, para novalis ele e genio porque cria palavras-figura. para ele seria a era de ouro quando as palavras se tornassem tais figuras:
"palavras e figuras determinam-se em alternancia constante - as palavras audiveis e visiveis sao propriamente figuras-palavras [wortfiguren]. as figuras-palavra sao as figuras-ideais das outras figuras - todas figuras etc. devem tornar-se figuras-palavra ou figuras-"linguais" [sprachfiguren] - assim como as palavras-figura [figurenworte] - as imagens internas etc. sao as palavras-ideal dos demais pensamentos ou palavras - na medida em que todas devem tornar-se imagens internas.
a fantasia, que forma as palavras-figura, cabe muito bem o predicado genio.
sera a era de ouro quando todas as palavras se transformarem em palavras-figura - mitos - e todas as figuras em figuras-"linguais", hieroglifos - quando se aprender a falar e escrever figuras e a musicar e a tornar plasticas as palavras de um modo perfeito.
ambas as artes devem estar justas, sao inseparaveis, ligadas e se tornarao perfeitas ao mesmo tempo." (NOVALIS 1978: II, 458).
(...) poesia que reunisse esses mesmos caracteres do hieroglifo, que fundisse imagem e escritura. (cf. Benjamin).
uma vez que a arte e uma exposicao alegorica, o artista deve escolher entre duas estrategias de exposicao (que, de resto, tambem podem ser misturadas, como nos contos de Tieck): ou ele expoe o mundo do ponto de vista de uma "teoria da vida comum" (NOVALIS 1978: II, 555) e cria poeticamente os elementos cotidianos novamente - e desse modo revela-se "sob" ou "por detras" do nosso mundo prosaico os disiecta membra poetae; ou ele expoe o indizivel atraves do sem-sentido, ou seja,por meio de uma obra "fantasiosa" como por exemplo os assim chamados arabescos. em ambas as direcoes, o poeta trabalha tambem com hieroglifos e com alegorias. ambos os caminhos expoem o mundo como uma cadeia infinita de significantes e como um emaranhado insoluvel de palavras-figura.
